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A Natureza da Segunda Vinda

por Anthony Hoekema

Em um capítulo anterior, tratamos da questão da expectativa da segunda vinda. Passaremos agora a discutir a natureza da segunda vinda de Cristo.

Analisaremos primeiramente se a segunda vinda é um evento único ou se é dividido em dois estágios. O dispensacionalismo pré-tribulacionista[1] fala em uma vinda dupla de Cristo, intermediada por um intervalo de sete anos. Então, a primeira etapa da segunda vinda é denominada arrebatamento (ou o arrebatamento pré-tribulacional), enquanto que a segunda etapa, na qual Cristo instaurará seu Reino milenar, é denominada sua volta. Embora uma discussão mais completa do premilenismo dispensacionalista será deixada para mais tarde, precisamos agora examinar a questão da vinda dupla.


O ponto de vista dispensacionalista pré-tribulacional[2], sobre este assunto, conforme desenvolvido na New Scofield Bible (Nova Bíblia de Scofield), é o seguinte:


A primeira etapa da volta de Cristo será o assim chamado arrebatamento[3], que pode acontecer a qualquer momento. Nessa ocasião, Cristo não percorre todo o caminho até a terra, mas somente parte do caminho. Então acontece a ressurreição de todos os verdadeiros crentes[4]. Após essa ressurreição, os crentes que ainda estavam vivos serão subitamente transformados e glorificados. Agora acontece o arrebatamento de todo o povo de Deus: os crentes ressuscitados e os crentes transformados são rapidamente elevados às nuvens para encontrar nos ares o Senhor que desce. Este corpo de crentes, denominado a Igreja, segue agora para ao céu com Cristo, para com Ele celebrar durante sete anos as bodas do Cordeiro.[5]

Durante este período de sete anos, enquanto a Igreja permanece no céu, vários eventos sucederão sobre a terra: (1) a tribulação predita em Daniel 9:27 começa agora, sua última metade sendo assim chamada grande tribulação; (2) o anticristo (ou “a besta que emerge do mar”) começa então seu reinado cruel – um reinado que culminará em sua exigência para ser adorado como Deus; (3) agora caem juízos terríveis sobre os habitantes da terra, inclusive a parte não-salva da Igreja professa; (4) agora será redimido um número eleito de israelitas, juntamente com uma multidão inumerável de gentios; (5) os reis da terra e os exércitos da besta e do falso profeta reúnem-se agora para atacar ao povo de Deus.

Ao final desse período de sete anos, Cristo retornará em glória acompanhado pela Igreja. Desta vez, ele percorrerá todo o caminho até a terra. Ele destruirá seus inimigos na batalha do Armagedon, estabelecerá seu trono em Jerusalém e começará seu reinado milenar.[6]

Não há, porém, base escriturística sólida para a posição de que a segunda vinda de Cristo deva ser dividida nessas duas etapas. Duas publicações recentes de eruditos premilenistas contêm uma crítica completa da teoria da vinda dupla: George E. Ladd, The Blessed Hope (A Esperança Bendita) (Grand Rapids: Erdmans, 1956), e Robert H. Gundry, The Church and the Tribulation (A Igreja e a Tribulação) (Grand Rapids, Zondervan, 1973).[7] Entre as razões pelas quais a posição da segunda vinda dupla de Cristo deve ser rejeitada encontram-se as seguintes:


(1) Nenhum argumento a favor da vinda em duas etapas pode ser deduzido do uso neotestamentário das palavras da segunda vinda. 

Estas palavras são: Parousia (literalmente: presença), apokalypsis (revelação), e epiphaneia (manifestação). Primeiramente, veremos o uso da palavra Parousia. Em 1 Tessalonicenses 4:15, Paulo usa Parousia para descrever aquilo que os pré-tribulacionistas chamariam de arrebatamento. Já em 1 Tessalonicenses 3:13, a mesma palavra é usada para descrever a “vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos” – a segunda etapa da volta de Cristo, de acordo com os pré-tribulacionistas. E em 2 Tessalonicenses 2:8, Paulo utiliza o termo Parousia para se referir à vinda na qual Cristo reduzirá o anticristo a nada – o que conforme os pré-tribulacionistas não deveria acontecer até a segunda etapa.

Passando ao uso da palavra apokalypsis, encontramos Paulo utilizando-a em 1 Coríntios 1:7 para descrever o que esses intérpretes chamam de arrebatamento: “aguardando vós o aparecimento (ou revelação, ASV) de nosso Senhor Jesus Cristo”. Porém em 2 Tessalonicenses 1:7-8, a mesma palavra é empregada para descrever o que os pré-tribulacionistas denominam a segunda etapa da segunda vinda: “...quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus...”.

Isto também é verdade quanto ao uso do termo epiphaneia. Em 1 Timóteo 6:13-14 ele se refere ao que os pré-tribulacionistas chamam de arrebatamento: “Exorto-te...que guardes o mandato imaculado, irrepreensível, até a manifestação (epiphaneia) de nosso Senhor Jesus Cristo”. Mas em 2 Tessalonicenses 2:8 Paulo emprega o mesmo termo para descrever a vinda de Cristo na qual Ele destruirá o homem da iniqüidade: “Então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus...destruirá, pela manifestação (epiphaneia) de sua vinda”. Isto não acontecerá, entretanto, conforme os pré-tribulacionistas, até o fim da grande tribulação.

Portanto, o uso destas palavras não provê base algumas para o tipo de distinção que os pré-tribulacionistas fazem entre etapas da volta de Cristo.[8]


(2) As passagens do Novo Testamento, que descrevem a grande tribulação, não indicam que a Igreja será removida da terra antes que a tribulação comece. 

Conforme vimos anteriormente, Jesus fala sobre a grande tribulação em seu sermão profético encontrado em Mateus 24. Mas lá não há indicação de que a Igreja não mais estará sobre a terra quando essa tribulação ocorrer. Na verdade, Jesus diz que os dias daquela tribulação serão abreviados por causa dos eleitos (v. 22), e não há base para crer que estes sejam apenas eleitos judeus. Alguém poderia argumentar dizendo que o evangelho de Mateus foi escrito especialmente para os judeus, mas palavras similares são encontradas em Marcos 13:20, um evangelho que não é dirigido especificamente aos judeus. Às vezes os pré-tribulacionistas dizem que Mateus não está falando acerca da igreja, porque ele efetivamente não utiliza a palavra Igreja nesta passagem. Uma vez que, todavia, Mateus utilizar o termo para Igreja (ekklesia) apenas três vezes em seu evangelho (uma vez em 16:18 e duas vezes em 18:17), o que se pode provar pela ausência do termo aqui?

Neste assunto, entretanto, o que é de importância crucial é a referência ao arrebatamento da igreja em Mateus 24:31: “E ele [Cristo] enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”. Observe os pontos paralelos entre esta passagem e a descrição do arrebatamento da Igreja em 1 Tessalonicenses 4:16,17: a descida do Senhor, o soar da trombeta e a reunião de todo verdadeiro povo de Deus, aqui denominado os escolhidos. Parece claro que estas duas passagens descrevem o mesmo evento. Mas agora deveria ser observado que o arrebatamento descrito em Mateus 24 é subseqüente à descida do Senhor na sua segunda vinda “final”. “...E verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos”, e assim por diante (vs. 30-31). Aqui não há sinal algum de um arrebatamento pré-tribulacionista; de fato, o arrebatamento está descrito como vindo após a grande tribulação (veja v. 29).

Já vimos anteriormente que a descrição que Paulo faz da manifestação do homem da iniqüidade em 2 Tessalonicenses 2 implica que o surgimento deste homem provocará grande perseguição e tribulação para o povo de Deus. O propósito de Paulo , neste capítulo, é de advertir seus leitores, alguns dos quais pensavam que o dia do Senhor já tivesse vindo (v. 2); adverti-los de que aquele dia não virá sem que primeiramente seja revelado o homem da iniqüidade, juntamente com a tribulação que acompanhará sua manifestação. Portanto, qual seria o objetivo da advertência de Paulo se estes crentes fossem removidos da terra antes da tribulação? Uma vez que a igreja, em Tessalônica, era na sua maioria composta por crentes gentios (veja Atos 17:4), não se pode dizer que Paulo estivesse aqui descrevendo apenas para cristãos judeus. De fato, as palavras de abertura de 2 Tessalonicenses 2 indicam claramente que os eventos descritos neste capítulo, e que incluem a manifestação do anticristo e a grande tribulação, precederão p arrebatamento da igreja: “...No que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos, a que não vos demovais da vossa mente...nem vos perturbeis...supondo tenha chegado o Dia do Senhor. Ninguém, de nenhum modo, vos engane; porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade.” (vs. 1-3). É interessante observar que a palavra grega traduzida acima, como “nossa reunião com ele” (episynagoge), é a forma substantiva do verbo utilizado para o arrebatamento em Mateus 24:31: “os quais reunirão (episynago) os seus escolhidos...de uma a outra extremidade dos céus”. Fica claro que o arrebatamento da igreja, conforme descrito nesta passagem, não precede mas sucede à grande tribulação.


(3) A principal passagem do Novo Testamento, que descreve o arrebatamento, não ensina um arrebatamento pré-tribulacionista.

Passamos agora à passagem de 1 Tessalonicenses 4:16,17: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor”. O que esta passagem ensina claramente é que na hora da volta de Cristo, todos os crentes mortos (os “mortos em Cristo”) serão ressuscitados, e todos os crentes que ainda estiverem vivos serão transformados e glorificados (ver 1 Coríntios 15:51,52); então estes dois grupos serão levantados rapidamente para encontrar o Senhor no ar. O que estas palavras não ensinam é que, após este encontro nos ares, o Senhor inverterá sua direção e voltará para os céus, levando com ele os membros da igreja ressuscitados e transformados. A passagem nada diz sobre isso. Para dar certeza, o verso 17 terminar com as palavras: “e assim estaremos para sempre com o Senhor”. Porém, Paulo não diz onde estaremos para sempre com o Senhor”. A idéia de que, após termos encontrado o Senhor nos ares, estaremos com ele por sete anos no céu, e mais tarde por mil anos nos ares acima da terra é pura inferência e nada mais. O ensino claro desta passagem é uma unidade eterna com Cristo em glória, não um arrebatamento antes da tribulação.

Tudo isto se tornará ainda mais claro ao olharmos para as palavras traduzidas pela expressão “o encontro do Senhor nos ares”. Embora a tradução inglesa empregue um infinitivo, “encontrar”, o grego traz aqui uma locução preposicional: eis apantesin. Apantesis é um termo técnico utilizado na época do Novo Testamento para descrever as boas-vindas públicas dadas por uma cidade a um visitante ilustre. Normalmente as pessoas sairiam da cidade para encontrar o distinto visitante e voltariam com ele para dentro da cidade.[9] Baseado na analogia transmitida por essa palavra, tudo o que Paulo está dizendo aqui é que os crentes ressuscitados e os transformados são elevados às nuvens para encontrar o Senhor, enquanto ele desce do céu, implicando que após este alegre encontro eles voltarão com ele para a terra.

Esta idéia é confirmada ao olharmos para os dois outros lugares em que a palavra apantesis é utilizada no Novo Testamento. Um desses lugares é Atos 28:15: “Tendo ali os irmãos ouvido notícias nossas, vieram ao nosso encontro (eis apantesin hemin) até a Praça de Ápio e às Três Vendas”. Estes irmãos saíram de Roma para encontrar Paulo, e então retornaram com ele para Roma. O outro uso da palavra é encontrado em Mateus 25:6, na parábola das dez virgens: “Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! (eis apantesin)”. Assim como as virgens prudentes da parábola saíram para encontrar o noivo, assim os crentes serão levantados para encontrar o Senhor que está descendo. Assim como as virgens, depois disso, foram juntamente com o novo em seu caminho para as bodas, assim os crentes ressurretos e os transformados, após terem-se encontrado com o Senhor nos ares, permanecerão juntos com o Senhor, enquanto ele continua seu caminho para a terra. A figura das bodas implica comunhão feliz e amorosa. Por que deveríamos presumir que essa comunhão só pode acontecer no céu? O lugar dos corpos ressurretos e glorificados dos crentes não é no céu, mas sobre a terra. Portanto, não é no céu mas na nova terra que a festa do casamento de Cristo e seu povo redimido acontecerá.


(4) A segunda vinda de Cristo envolve tanto uma vinda com seu povo quanto uma vida para seu povo. 

Os pré-tribulacionistas às vezes falam das duas etapas da segunda vinda de Cristo como uma “vinda para seus santos” (arrebatamento) e uma “vinda com seus santos” (a volta), com um intervalo de setes anos entre si. O argumento então continua da seguinte forma: Cristo somente pode vir com seus santos após ele ter primeiramente vindo para seus santos, no arrebatamento. Após as bodas de sete anos nos céus, Cristo pode levar seus santos com ele quando voltar à terra para estabelecer sei reino milenar.

Devemos observar que 1 Tessalonicenses 3:13, efetivamente, fala da “vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos”. Se admitirmos, como o faz a maioria dos comentaristas, que o termos “santos” aqui se refere a seres humanos e não a anjos, teremos efetivamente uma descrição do retorno de Cristo com seu povo redimido. Agora a questão passa a ser a seguinte: se esta vinda é necessariamente diferente do que geralmente chamamos de arrebatamento. A passagem destacada que descreve o arrebatamento é 1 Tessalonicenses 4:13-18. O verso 14, que é uma parte dessa passagem, diz o seguinte: “Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem”. O problema que perturbava os tessalonicenses era saber se os crentes que já tinham morrido perderiam a alegria da segunda vinda de Cristo. A resposta de Paulo, desenvolvida nos versos 13-18, é que eles não a perderão, uma vez que os mortos em Cristo serão ressuscitados primeiro, e então, juntamente com os que ainda estiverem vivos, encontrarão o Senhor nos ares. No verso 14 Paulo diz que “Deus, mediante Jesus, trará” aqueles que morreram em Cristo. O que se pretende dizer com “trará com Jesus”? Os crentes mortos, assim Paulo nos ensina em outros lugares, estão agora com Cristo (Filipenses 1:23 e 2 Coríntios 5:8). Quando Cristo voltar, ele trará estes crentes mortos com ele dos céus. Isto é ensinado, entretanto, não apenas em 1 Tessalonicenses 4:14, que trata especificamente do arrebatamento. A vinda de Cristo “com seus santos”, portanto, não deve ser separada de sua “vinda para seus santos” no arrebatamento. A vinda de Cristo será tanto “com” quanto “para” seus santos.[10]


(5) Nenhum argumento, para a vinda em duas etapas, pode ser extraído do ensino de que a grande tribulação será um derramamento da ira de Deus sobre o mundo. 

Uma vez que durante a grande tribulação a ira de Deus visitará a humanidade rebelde, a igreja não estará sobre a terra nesse tempo, porque a igreja não pode ser objeto da ira de Deus.

É verdade: a igreja nunca será objeto da ira de Deus, uma vez que Cristo sofreu a ira de Deus por seu povo quando foi crucificado. Mas esse fato não implica, necessariamente, que a igreja não possa estar na terra quando a ira de Deus for derramada durante a tribulação. Por exemplo, devemos lembrar-nos de que, quando Deus visitou com sua ira os egípcios na época das dez pragas, o povo de Deus, embora vivesse na terra, foi guardado dos males infligidos aos egípcios. No sétimo capítulo do livro do Apocalipse, além disso, lemos acerca dos servos de Deus que serão selados em suas frontes (v. 3), a fim de que a ira de Deus não caia sobre eles (cap. 9:4), durante o tempo em que essa ira estiver caindo sobre os outros.[11]

Todavia, há algo mais que precisa ser dito. Proteção da ira de Deus não implica libertação da ira do homem. Conforme vimos anteriormente, a igreja terá continuamente de sofrer tribulação; consideremos as palavras de Jesus em Mateus 24:9, falando de seu povo ao longo de todas a era atual: “Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome”. Se a tribulação é um dos sinais dos tempos, que razão haveria para que a igreja não esteja na terra durante a fase final da tribulação? Em 2 Tessalonicenses 1:6-8, Paulo indica que a volta de Cristo significará libertação da tribulação para sua igreja e para seu povo: “...se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus”.

Concluímos, portanto, que não há base nas Escrituras para se conceber a segunda vinda em duas etapas, como é ensinada pelos pré-tribulacionistas. A segunda vinda de Cristo deve ser considerada como um evento único, que ocorre após a grande tribulação. Quando Cristo voltar, haverá uma ressurreição geral, tanto de crentes como de incrédulos.[12] Após a ressurreição, os crentes que ainda estiverem vivos deverão ser transformados e glorificados (1 Coríntios 15:51,52). Então acontece o “arrebatamento” de todos os crentes.[13] Os crentes que forem ressuscitados, juntamente com os crentes vivos que forem transformados, são agora elevados rapidamente para as nuvens para encontrarem com o Senhor nos ares (1 Ts 4:16,17). Após este encontro nos ares, a igreja arrebatada continua junto com Cristo enquanto ele completa sua descida à terra.

Prosseguindo, perguntamos agora: O que é que as Escrituras ensinam acerca do modo como ocorrerá a segunda vinda? Observamos, primeiramente, que ela deve ser uma vinda pessoal: O próprio Cristo voltará em sua própria pessoa. Isto é claramente ensinado, por exemplo, em Atos 1:11, que registra as palavras dos dois homens com vestes brancas, que falaram aos discípulos na hora da ascensão de Cristo: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esses Jesus que dentre vós foi assunto ao céu, assim virá do modo como o vistes subir”. No mesmo sentido são as palavras de Atos 3:19-21, proferidas por Pedro no templo: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos...a fim de que, da presença do Senhor venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade”. Paulo também ensina que Cristo voltará em pessoa: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:20). Veja também o que ele diz em Colossenses 3:4: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, em glória”.

Aprendemos igualmente do Novo Testamento que a volta de Cristo será uma vinda visível. Os Testemunhas de Jeová alegam que Cristo voltou em 1914, de modo invisível.[14] Mas com certeza o texto de Apocalipse 1:7 exclui qualquer concepção dessa espécie sobre a segunda vinda: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá...” Relacionado com isso veja também Tito 2:11-13: “Porquanto a graça de Deus se manifestou (epephane) salvadora a todos os homens, educando-os para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e manifestação (epiphaneian) da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus...” O substantivo epiphaneia, uma das três palavras mais comuns que o Novo Testamento utiliza para a segunda vinda, é colocado em paralelo com apephane que é uma forma verbal do mesmo termo grego. Se a primeira manifestação de Cristo, descrita nas palavras de abertura do texto, foi visível – o que ninguém ousaria negar – o uso de uma forma cognata do verbo epiphaino, para designar a segunda manifestação de Cristo, prova acima de qualquer dúvida que a segunda vinda será tão visível quanto foi a primeira.

Uma terceira característica da volta de Cristo é que ela é uma vinda gloriosa. A primeira vinda de Cristo foi uma vinda de humilhação. Isaías já tinha predito isso:

[Ele] não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse.
Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer;
E, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso (53:2,3).

Paulo também nos lembra que, quando Cristo veio à terra pela primeira vez, ele “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo”, e “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2:7,8).

Mas quando Cristo vier de novo, tudo será diferente. Ele retornará em glória. O próprio Cristo nos falou disso, em seu sermão profético: “...e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória” (Mt 24:30). Paulo acrescenta mais alguns detalhes: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua Palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus” (1 Ts 4:16). Cristo voltará como o glorioso conquistador, o Juiz de tudo, o redentor de toda a criação, o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19:16).


NOTAS:

[1] Dispensacionalismo é uma abordagem teológica da Bíblia que divide a história sacra em várias eras específicas ou dispensações, sendo que em cada uma delas Deus lida com as pessoas de um modo diferente. A última dessas dispensações, dizem eles, será o reino de mil anos de Cristo sobre a terra durante o milênio. Pré-tribulacionismo é a posição que diz que a igreja será arrebatada e levada para o céu antes da grande tribulação que precede o milênio.

[2] Embora alguns dispensacionalistas tenham diferentes posições acerca da relação entre arrebatamento e tribulação (e.g., médio-tribulacionistas e pós-tribulacionistas), a posição pré-tribulacionista é a mais amplamente sustentada pelos dispensacionalistas.

[3] Embora a palavra arrebatamento não apareça nas traduções inglesas da Bíblia, ela é derivada do texto da Vulgata para o verbo “elevados” (harpagesometha), em 1 Tessalonicenses 4:17, rapiemur.

[4] Alguns dispensacionalistas afirmam que os crentes do Antigo Testamento também serão ressuscitados nessa hora; outros dispensacionalistas, entretanto, sustentam que os crentes do Antigo Testamento não ressuscitarão até após a tribulação, na hora da ressurreição do santos que morreram durante a tribulação (ver New Scofield Bible, p. 1250n.).

[5] NSB, pp. 1372, 1293, 1161 e 1162.

[6] NSB, pp. 1359, 1162, 1372.

[7] Cp. também Nornam F. Douty, Has Christ’s Return Two Stages? (Nova York: Pageant Press, 1956), e Alexander Reese, The Approaching Advent of Christ (Grand Rapids: Kregel, 1975; pub.orig. 1932). Ambas as obras fornecem argumentos escriturísticos contra a teoria da Segunda Vinda dupla.

[8] Embora os primeiros pré-tribulacionistas denominavam a primeira etapa da segunda vinda como Parousia e a segunda etapa como revelação ou manifestação, a maioria dos pré-tribulacionistas contemporâneos reconhece agora que os três termos são utilizados indiscriminadamente pelo Novo Testamento para o que eles consideram as duas etapas da volta de Cristo (ver Gundry, The Church and the Tribulation, p.158)

[9] E. Peterson, “apantesis” TDNT, I, pp.380,381.

[10] Para uma útil discussão dessas duas passagens, ver Hendriksen, I and II Tessalonian (Grand Rapids: Baker, 1995), pp. 91-94, 111-114. Ele sugere que as expressões “com todos os santos” (1 Ts 3:13) e “trará com Jesus” (1 Ts 4:14) referem-se às almas dos crentes mortos, que imediatamente após serão unidas a seus corpos na ressurreição. Cp. Catecismo de Heidelberg, Q. 57; e Confissão Belga, Art. 37.

[11] Sobre o argumento de que os 144.000 aqui descritos como selados não representam apenas um remanescente judaico, mas, sim, toda a igreja sobre a terra, ver Hendriksen, Mais que Vencedores, Primeira Edição, Casa Editora Presbiteriana, São Paulo, 1987, pp. 182-187.

[12] A evidência para a doutrina da ressurreição geral será dada adiante, no Capítulo 17.

[13] A palavra arrebatamento tem sido colocada entre aspas para distinguir a posição aqui desenvolvida da posição do arrebatamento encontrada no pré-tribulacionismo. Poderíamos chamar a posição desenvolvida neste livro de um arrebatamento pós-tribulacionista.

[14] Let God Be True (Brooklyn: Watchtower Bible and Tract Society, 1946; rev. em 1952), pp. 198-199; Make Sure of all Things (Brooklyn: Watchtower Bible and Tract Society, 1953; rev. em 1957), p. 321. Ver minha obra Four Major Cults, p. 297.

Fonte: Extraído do livro A Bíblia e o Futuro, de Anthony Hoekema. Editora Cultura Cristã. Clique aqui para comprar.

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